you are what you eat

... não basta tratar todo mundo mundo por "você", temos de reivindicar a possibilidade de tratar alguém por "eu". Todas as vezes que for preciso, todas as vezes em que nos sentirmos outra pessoa, em que nos encontrarmos perante uma distância que não nos pertence, em que compartilharmos um livro, um filme, um quadrinho, devemos poder afirmar: "Fui eu que fiz! É meu!"

- Luther Blisset / eu


Jun 4

A Partida, Kafka

Ordenei que tirassem meu cavalo da estrebaria. O criado não me entendeu. Fui pessoalmente à estrebaria, selei o cavalo e montei-o. Ouvi soar à distância uma trompa, perguntei-lhe o que aquilo significava. Ele não sabia de nada e não havia escutado nada. Perto do portão ele me deteve e perguntou:

- Para onde cavalga, senhor?

- Não sei direito - eu disse - só sei que é para fora daqui, fora daqui. Fora daqui sem parar: só assim posso atingir meu objetivo.

- Conhece então seu objetivo? - perguntou ele.

- Sim - respondi -. Eu já disse: “fora-daqui”, é esse o meu objetivo.

- O senhor não leva provisões - disse ele.

- Não preciso de nenhuma - disse eu -. A viagem é tão longa que tenho de morrer de fome se não receber nada no caminho. Nenhuma provisão pode me salvar. Por sorte esta viagem é realmente imensa.


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